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16/06/2004 00:33
A ASSUSTADORA E MISTERIOSA HISTÓRIA DE GROO, O QUIROMANTE
Olá, amigos! Sou o guardião da cripta a guiá-los pelos insólitos caminhos do terror. E está tudo escrito aqui, neste velho livro carcomido e quase esquecido. Acompanhem a misteriosa história deste mês.
Tudo começa quando um adolescente normal, com seus 16 anos de idade, que chamaremos de Groo, foi para o interior da Bahia em férias de fim de ano. Cidades do interior geralmente são revestidas de monotonia durante grande parte do ano, mas isso é quebrado durante o período de férias da meninada, quando os pais que saíram do torrão natal para tentar a vida na cidade grande retornam às origens por um breve momento de férias.
Logo, a tal cidade estava cheia de novidades. Primos e primas que se conheciam naqueles dias; Excursões animadas para os rios da região; Violão e cantoria na pracinha da cidade. Sim, tudo era festa naqueles dias.
No entanto, o adolescente Groo passava a maior parte do tempo na fazenda do avô. Os parentes e amigos achavam estranho esse comportamento de um jovem urbano, admirador das baladas noturnas paulistanas e freqüentador assíduo de festinhas regada a bandas fuleiras de rock. Sem dúvida, um comportamento muito estranho. O que haveria de tão especial naquela fazenda?
O avô de Groo era um homem iniciado nas artes místicas. Astrólogo, quiromante, tarólogo... sua fama na região já rendia algumas lendas interessantes, como a de um homem que, após ter suas linhas da mão decifradas e recebido o conselho de não viajar por um certo período, saiu-se com gozações e dizendo não acreditar em tais bobagens; Porém, uma semana após essa leitura, o homem sofrera um acidente terrível de carro, onde quase perdera a vida.
Essa e outras histórias encantaram o jovem Groo. Tanto que estudava cuidadosamente e avidamente os livros de quiromancia do avô. Memorizava as linhas, sinais, os diferentes tipos de mãos... o rapaz estava realmente empenhado em aprender tudo o quanto podia, de quiromancia a astrologia.
Mas qual o interesse do adolescente Groo em aprender tais artes místicas? Ora, certo final de semana Groo passou na cidade, onde fez um enorme sucesso com as meninas da cidade, lendo suas mãos e prognósticos de horóscopo:
- Groozinho, vê aí na minha mão se vou casar e ser feliz, vê...
- Pelo que vejo na sua mão, sim, irá casar-se...mas só se escolher o homem certo...
- E como é esse homem certo?
- Pelo seu signo e suas características marcadas em suas linhas, o homem ideal para você deve ser do signo de Gêmeos, signo em que os nativos costumam ser muito inteligentes e de sensibilidade artística marcante, além de românticos e criativos...
- Ai, é mesmo? Ai, quem é de Gêmeos, por aqui, hein?
- Bem, não tem muito a ver, mas sou de Gêmeos e tal...
A fama de Groo entre as meninas da cidade era tanta que muitos rapazes ficaram enciumados. Afinal, não era toda menina que gostava de nadar no rio ou de cantorias na praça da cidade, mas todas gostariam de saber sobre o futuro amoroso, principalmente. Todas?
Havia uma menina que era o oposto de todas. Estava em férias e era de São Paulo, assim como o jovem Groo. Mas não se entrosava com as outras meninas. Nunca foi ao rio; Raramente freqüentava a pracinha à noite; Mesmo no calor do dia andava sempre com calça jeans ou saia longuíssima, o que dava a ela um aspecto de hippie, com seus longos cabelos castanhos contrastando com os olhos verdes e pele alvíssima. Só tinha uma amiga, um prima, e as outras meninas da cidade achavam estranho o fato de ela ser bonita e não valorizar o corpo com saias menores e shortinhos, como uma adolescente normal.
Os meninos tentaram alguma coisa com ela, mas rechaçou-os logo, levando a fama de antipática. Mas o jovem Groo, quando a viu, sentiu seu coração palpitar;Seus olhos brilhavam e sua respiração acelerava o ritmo. Sim, o jovem Groo estava apaixonado. Mas como fazer para aproximar-se da bela Dakarba ( vamos chamá-la assim)
Como um dos amigos de Groo era a fim da prima de Dakarba, Groo resolveu ensinar um pouco das artes místicas para que o cara deixasse Groo e Dakarba se conhecendo um pouco mais. Groo tinha pressa, pois só teria mais 3 dias de férias.
Deu tudo certo. Era noite de sexta-feira, a lua estava cheia e bonita no céu do sertão. A cantoria estava animada. A prima de Dakarba, encantada com os conhecimentos místicos do amigo de Groo, queria descobrir mais sobre os mistérios do rapaz e deixou Dakarba na companhia de Groo.
Apesar da noite bela, um vento frio cortava a noite. O fria estava a conversa de Groo com sua amada. As respostas de Dakarba eram frias e secas, o que deixava nosso jovem amigo desanimado. Tentou o papo místico:
- Dakarba, de que signo você é?
- Não acredito nessas bobagens.
Nosso amigo estava em apuros. Como convencer a garota que ele era o homem perfeito para ela? Como a garota já olhava insistentemente no relógio e perguntava pela prima, pois já queria ir embora, Groo resolve arriscar tudo:
- Alguém já leu sua mão?
- Quê? Isso é outra bobagem!
- Será mesmo?
- Claro! Isso é feitiçaria, Deus não aprova isso?
- Mas está na Bíblia, em Jó*: Deus registrou sinais e carimbos nas mãos de todos os homens para que todos os filhos dos homens possam conhecer sua missão.
- É mesmo? Tá escrito isso?
Bingo! O jovem Groo quebrara o gelo. E descobrira, embora sem perguntar,o porquê de se vestir sempre discretamente: era uma garota cristã, pudica. Convenceu-a deixar que lesse sua mão.
- Tá bom, lê aí, se você diz que sabe...
O contato com aquelas mãos...Groo tomava-as com um carinho incrível, como se estivesse segurando algo muito precisoso em mãos.
- Anh...certo...hmmm...a linha da cabeça ou da mente está perfeita, o que demonstra equílibrio...nenhum sinal grave...ahnn...sim, sim....
Groo ia dizendo as previsões e Dakarba já esboçava um sorriso e balançava afirmativamente a cabeça, demonstrando que Groo estava indo muito bem.
A lua estava encoberta pelas nuvens. O céu estava mais escuro que antes; O vento frio continuava. A cantoria dos rapazes e moças cessara há tempos. Na verdade, poucas pessoas na praça. Já passavam das 11 horas. Groo continuava lendo a mão de Dakarba, exatamente decifrando a linha da vida, quando ele pergunta:
- Você já sofreu algum acidente grave na sua vida?
Dakarba olhou para Groo assustada; Retira sua mão em um impulso e fala de forma áspera:
- Quem te contou?
Groo surpreendeu-se:
- Contou o que?
- Sobre o meu acidente!! Foi minha prima, não foi? Diz!!
- Acidente? Como assim?O que houve?
Dakarba levantou-se e fez menção de ir embora. Mas Groo agarrou-a pelo braço:
- Espere, como assim? Desculpe se trouxe à tona algum fato desagradável, olha, a maioria dessas coisas é brincadeira, invento muita coisa...
- Ninguém te contou?
- Contou o que?
Dakarba ergueu um pouco seu vestido longo e logo apareceu em uma das pernas uam grande e horrível cicatriz, fruto de um acidente automobilístico terrível em sua infância.
- Essa cicatriz é enorme,pega toda a extensão da perna...quase tive que amputar a perna...por favor, não conta pra ninguém e me diz quem te contou.
- Mas ninguém me contou nada!Eu li na sua mão! Há certos sinais na linha da vida e do destino referentes à vida...Olha só, me dá sua mão, foi aqui que eu vi...
Groo emudeceu quando mais uma vez viu a mão da jovem. Cruzes e quadrados na linha da vida e do destino representam tragédias na vida das pessoas. Se no ínicio da linha do destino, isso dá-se na infância; Da metade em diante, na vida adulta. Groo reparou que a linha do destino interrompia-se bruscamente e terminava em uma cruz. Assombrado, largou a mão de Dakarba que, assustada com o olhar petrificado de Groo, deixou-o na praça e andava com passos largos, quase correndo, em direção à rua escura que a levaria para a casa onde estava hospedada. O céu estava completamente escuro. O vento frio espantou todos da rua. Passava de meia-noite.
Groo nunca mais viu Dakarba novamente.
E nunca mais Groo aventurou-se por territórios sobrenaturais.
Gostaram da história desta semana? Eu, o guardião da Cripta, garanto que essa história é verídica e que nunca mais ouvimos falar da pobre Dakarba; Quanto ao jovem Groo, voltou para São Paulo, onde mudou de nome e tornou-se professor, para apagar essa cena de terror de sua mente. Pois bem, essas são histórias que o povo conta e eu, o guardião da Cripta, deixo-vos partir... ha ha ha!!
hit parade do post: Instestellar Overdrive, Pink Floyd
* Livro de Jó, cap.37, v.7
enviada por Groo, o errante
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